Como funcionam os adicionais de insalubridade e periculosidade
Os dois adicionais compensam quem trabalha exposto a riscos, mas são diferentes. A insalubridade é para quem trabalha exposto a agentes que fazem mal à saúde aos poucos, como ruído, calor, produtos químicos ou agentes biológicos (CLT, art. 189). A periculosidade é para quem corre risco de morte ou lesão grave a qualquer momento, como no contato com inflamáveis, explosivos ou eletricidade (CLT, art. 193).
Tabela da insalubridade 2026
| Grau | Percentual | Valor em 2026 | Valor em 2027 (previsão) |
|---|---|---|---|
| Mínimo | 10% | R$ 162,10 | R$ 174,10 |
| Médio | 20% | R$ 324,20 | R$ 348,20 |
| Máximo | 40% | R$ 648,40 | R$ 696,40 |
A base é o salário mínimo, de R$ 1.621 em 2026. O STF proibiu usar o mínimo como indexador (Súmula Vinculante 4), mas, como não há lei com outra base, a Justiça do Trabalho continua aplicando o mínimo, salvo quando a convenção coletiva prevê o piso da categoria ou o salário. Em janeiro, o valor sobe com o salário mínimo 2027.
Periculosidade: 30% do salário-base
A periculosidade é de 30% sobre o salário-base, sem gratificações, prêmios ou PLR. Têm direito, com laudo, quem trabalha com:
- inflamáveis e explosivos, como frentistas e trabalhadores de refinarias;
- energia elétrica, como eletricistas de redes e subestações;
- segurança pessoal ou patrimonial exposta a roubos e violência, como vigilantes;
- motocicleta no trabalho, como motoboys e entregadores com carteira assinada;
- radiações ionizantes ou substâncias radioativas.
Não dá para receber os dois
Pelo art. 193, §2º, da CLT, o trabalhador exposto aos dois riscos escolhe um adicional. Em 2019 o TST fixou que eles não se acumulam, mesmo quando as causas são diferentes. Na prática, a periculosidade costuma valer mais para quem ganha acima de cerca de R$ 2.162 (grau máximo) ou de R$ 1.081 (grau médio). A calculadora acima mostra qual compensa no seu salário.
Reflexos: o adicional vai além do mês
- Entra no 13º salário e nas férias com 1/3. Veja os valores nas calculadoras de 13º e de férias.
- Gera depósito de 8% no FGTS, que conta na multa de 40% numa demissão.
- Faz parte da base das horas extras e do adicional noturno (Súmula 139 e OJ 47 do TST).
- Tem desconto de INSS e Imposto de Renda, como o salário. Veja as faixas na tabela do INSS e IRRF.
- Conta no aviso prévio e na rescisão.
O adicional só é pago enquanto durar a exposição. Se a empresa elimina o risco, por exemplo com equipamento de proteção que neutraliza o agente, ou se você muda de função, o pagamento pode parar. Exposição eventual não dá direito, mas a intermitente sim (Súmula 364 do TST).
Perguntas frequentes
Fontes e metodologia
Insalubridade pelos arts. 189 a 192 da CLT e pela NR-15; periculosidade pelo art. 193 da CLT, pela NR-16 e pela Lei 12.997/2014 (motociclistas). Base da insalubridade conforme a Súmula Vinculante 4 do STF e a prática da Justiça do Trabalho. Não acumulação pelo art. 193, §2º, da CLT e pelo julgamento de recurso repetitivo do TST de 2019. Salário líquido calculado com as tabelas de INSS e IRRF de 2026, incluindo a isenção até R$ 5.000 da Lei 15.270/2025. Os reflexos anuais consideram 12 meses com o adicional e não incluem horas extras.
Fontes oficiais
- CLT (Decreto-Lei 5.452/1943), arts. 189 a 197
- Constituição Federal, art. 7º, XXIII
- Ministério do Trabalho e Emprego, NR-15 e NR-16