Como funcionam o rotativo e o parcelamento da fatura
Quando você não paga a fatura inteira do cartão de crédito, o banco oferece três caminhos: pagar só uma parte e deixar o restante no rotativo, parcelar a fatura ou quitar com outra linha de crédito. Os três têm juros, mas a diferença entre eles pode passar de centenas de reais.
Rotativo: o crédito mais caro do mercado
O rotativo entra quando você paga qualquer valor entre o mínimo e o total da fatura. O saldo que ficou para trás vai para a próxima fatura com juros que frequentemente passam de 300% ao ano. Desde 2017, pela Resolução CMN 4.549, o rotativo só pode durar até o vencimento seguinte. Se você não quitar nessa fatura, o banco precisa oferecer um parcelamento com juros menores. Ou seja, quem paga o mínimo e não consegue quitar no mês seguinte acaba parcelando uma dívida que já cresceu.
Parcelamento da fatura
No parcelamento, você paga uma entrada e divide o restante em parcelas fixas, com juros menores que os do rotativo. A oferta aparece na fatura e no app do banco. Antes de aceitar, compare o CET (Custo Efetivo Total), que inclui juros, IOF e outros encargos.
Teto de juros: no máximo 100% da dívida
Desde 3 de janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 (a lei do Desenrola) limita os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura a 100% do valor original da dívida. Uma dívida de R$ 2.400 pode gerar no máximo R$ 2.400 de juros. A calculadora aplica esse teto e avisa quando ele é atingido. O limite não vale para empréstimos pessoais e consignados, que têm regras próprias.
Exemplo prático
Fatura de R$ 3.000. Você consegue pagar R$ 600 agora e precisa de 6 meses para o restante. Com rotativo de 14% ao mês, parcelamento de 8,5% ao mês, empréstimo de 4,5% ao mês e IOF incluído:
| Saída | Pagamento | Total pago |
|---|---|---|
| Rotativo e quitar no mês seguinte | R$ 2.753,13 na próxima fatura | R$ 3.353,13 |
| Rotativo e depois parcelar | 6x de R$ 612,46 | R$ 4.274,77 |
| Parcelar a fatura agora | 6x de R$ 533,91 | R$ 3.803,43 |
| Empréstimo para quitar | 6x de R$ 471,23 | R$ 3.427,38 |
Parcelar logo em vez de passar pelo rotativo economiza cerca de R$ 471. Trocar a dívida do cartão por um empréstimo mais barato economiza cerca de R$ 847. O rotativo só compensa se você tiver certeza de que vai quitar tudo na próxima fatura.
Como sair da dívida do cartão
- Pague o máximo que puder agora. Cada real a menos no saldo deixa de pagar os juros mais altos do mercado.
- Evite pagar só o mínimo. Se não vai quitar no mês seguinte, parcelar logo costuma sair mais barato.
- Troque dívida cara por dívida barata. Consignado, crédito com garantia ou empréstimo pessoal com juros menores podem quitar o cartão. Compare sempre o CET. Se depois sobrar dinheiro, use a calculadora de quitação antecipada para antecipar parcelas com desconto.
- Aproveite os feirões. Dívidas já atrasadas costumam ter descontos grandes nos mutirões de renegociação. Veja como avaliar a proposta no guia do Feirão Limpa Nome.
- Negocie. Bancos costumam oferecer condições melhores para quem procura antes de atrasar. Programas de renegociação, como o Desenrola, também podem ajudar.
- Pare de usar o cartão enquanto paga. As parcelas da dívida ocupam o limite e se somam às compras novas, o que facilita cair no rotativo de novo.
Depois de quitar, monte uma reserva de emergência para não depender do cartão em imprevistos e use a regra 50-30-20 para manter as compras dentro do orçamento. Antes de parcelar uma compra nova, faça a conta na calculadora à vista ou parcelado.
Perguntas frequentes
Fontes e metodologia
Parcelas calculadas pela Tabela Price, com a primeira em 30 dias. No cenário “rotativo e depois parcelar”, o saldo passa um mês no rotativo e o valor acumulado é parcelado a partir da fatura seguinte, conforme a Resolução CMN 4.549/2017. O teto de juros e encargos de 100% da dívida original segue a Lei 14.690/2023 e é aplicado ao rotativo e ao parcelamento da fatura, não ao empréstimo. O IOF segue o Decreto 6.306/2007 para pessoa física (0,38% mais 0,0082% ao dia sobre cada amortização, até 365 dias), é financiado junto com a dívida e fica fora do cálculo do teto. As taxas de juros variam por banco e por cliente. Consulte as taxas médias no Banco Central e o CET na sua fatura.